Ciberataque à rede elétrica da Polônia: novo malware “DynoWiper” aponta para o Sandworm da Rússia

Janeiro 26, 2026
Poland power grid cyberattack: New “DynoWiper” wiper malware points to Russia’s Sandworm

VARSÓVIA, 24 de janeiro de 2026, 14:24 (CET)

  • A ESET liga os ciberataques do final de dezembro à rede elétrica da Polônia ao grupo Sandworm, apoiado pela Rússia, embora não tenham ocorrido interrupções
  • Segundo o governo polonês, duas usinas de cogeração e sistemas de gestão de energias renováveis foram atingidos
  • Autoridades dizem que regras de cibersegurança mais rígidas estão sendo elaboradas após a tentativa de ataque

A empresa de cibersegurança ESET apontou hackers ligados à inteligência militar russa como provável fonte dos ciberataques que tiveram como alvo a rede elétrica da Polônia no final de dezembro. Os invasores tentaram lançar um malware de exclusão de dados conhecido como DynoWiper, embora a tentativa pareça ter falhado. A Embaixada da Rússia em Washington não respondeu aos pedidos de comentário. (Reuters)

A descoberta aumenta o foco sobre um incidente que autoridades polonesas agora veem como uma ameaça séria à segurança energética do país. O foco mudou do roubo de dados para a possível interrupção. Esse desenvolvimento ocorre enquanto Varsóvia defende regras cibernéticas mais rígidas para infraestrutura crítica.

O TechCrunch classificou o DynoWiper como um malware “wiper” projetado para apagar dados e desativar computadores. (TechCrunch)

O primeiro-ministro da Polônia disse que os ataques de 29 a 30 de dezembro atingiram duas usinas de cogeração—essas instalações produzem eletricidade e calor—e também tiveram como alvo um sistema de gestão de energia proveniente de renováveis, como turbinas eólicas e fazendas solares. Donald Tusk afirmou que “tudo indica” que a operação foi realizada por grupos “diretamente ligados aos serviços russos.” (Gov)

Tusk disse que as defesas da Polônia permaneceram sólidas, ressaltando que “em nenhum momento a infraestrutura crítica foi ameaçada.” Ele confirmou que ordenou que ministros e serviços especiais trabalhassem em plena capacidade e apontou próximos passos, incluindo um projeto de lei para um sistema nacional de cibersegurança.

A ESET vinculou o ataque ao Sandworm com “confiança média”, citando sua análise tanto do malware quanto dos métodos dos atacantes. A empresa também observou: “Não temos conhecimento de qualquer interrupção bem-sucedida resultante deste ataque.” O DynoWiper é um wiper—um tipo de malware que apaga ou sobrescreve dados para tornar as máquinas inutilizáveis. (We Live Security)

O ministro da Energia, Milosz Motyka, disse a repórteres no início deste mês que as unidades de defesa cibernética da Polônia detectaram “o ataque mais forte à infraestrutura energética em anos.” A violação atingiu os links de comunicação entre instalações de energia renovável e operadores de distribuição de energia. (Reuters)

Robert Lipovsky, principal pesquisador de inteligência de ameaças da ESET, chamou a operação de “sem precedentes” para a Polônia, destacando que ataques cibernéticos anteriores não tinham como alvo a interrupção. “Realizar um ataque cibernético disruptivo contra o setor de energia polonês é algo grande”, disse ele à jornalista Kim Zetter. (ZERO DAY)

Sandworm, infame por suas operações destrutivas, foi associado por autoridades e especialistas ocidentais a ataques à infraestrutura de energia da Ucrânia, incluindo um apagão causado por malware há uma década. Esse evento no final de dezembro na Polônia chamou atenção dado esse histórico.

A nova lei cibernética da Polônia visa regras mais rígidas de gestão de riscos e resposta a incidentes para redes de TI, bem como para tecnologia operacional — os sistemas de controle industrial que operam usinas e a infraestrutura da rede elétrica.

Atribuição cibernética raramente produz provas prontas para tribunal, e as descobertas da ESET se baseiam em semelhanças de código e táticas, e não em qualquer admissão formal. A investigação sobre o dano pretendido continua, e as autoridades polonesas não divulgaram como a violação ocorreu — deixando aberta a possibilidade de outro ataque usando técnicas diferentes.

O incidente de dezembro não causou um apagão — pelo menos, não desta vez. Ainda assim, mostra quão rápido um malware de apagamento de dados pode saltar de sistemas de TI diretamente para a rede elétrica. Operadores de energia agora estão se preparando para o ataque que realmente temem: o próximo.

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