LONDRES, 17 de março de 2026, 16:55 GMT
As ações da BAE Systems subiram 0,4%, para cerca de 2.331 pence na terça-feira, chegando a um pico na sessão próximo de 2.346 pence. O grupo britânico de defesa anunciou novo trabalho para a Força Aérea dos EUA e permaneceu próximo das máximas históricas. O papel se manteve resiliente enquanto a Reuters destacou uma queda mais ampla nos nomes de defesa europeus. 1
A resiliência chama atenção, já que as ações da BAE já haviam mais que triplicado desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022, quando os resultados foram divulgados no mês passado. Nesses números, a BAE reportou uma carteira de pedidos recorde de 83,6 bilhões de libras—projetos assinados, mas ainda não realizados—e previu crescimento de vendas entre 7% e 9% para 2026. O lucro operacional deve aumentar de 9% a 11%. 2
O contrato mais recente, na terça-feira, garante à BAE mais trabalho de longo prazo. A Robins Air Force Base selecionou a empresa para cuidar do suporte e manutenção do Sistema Avançado de Defesa AN/ALQ-221 nos jatos de reconhecimento U-2. O trabalho inclui reparos, atualizações de software e outras necessidades de guerra eletrônica—os equipamentos que ajudam a aeronave a detectar, bloquear ou escapar de radares e mísseis inimigos. “Este sistema faz parte do nosso longo legado em guerra eletrônica”, disse Tim Angulas, que lidera a área de produtos U-2 da BAE. 3
As tendências de demanda continuam robustas. Na terça-feira, o CEO da Honeywell Aerospace, Jim Currier, disse que o apetite por defesa não está “diminuindo nem um pouco”, com o aumento das tensões geopolíticas impulsionando o investimento em todo o setor. 4
Os investidores não tratam mais as ações de defesa como uma aposta única. A Leonardo disparou quase 9% para uma máxima histórica em 12 de março, depois que a empresa elevou suas metas e reforçou sua estratégia de defesa digital. Já a Rheinmetall caiu quase 8% naquele dia, com uma previsão de fluxo de caixa mais fraca afastando os investidores. 5
Esse é o risco que a BAE enfrenta agora. A Honeywell, na terça-feira, apontou possíveis atrasos em parte da receita do primeiro trimestre, citando problemas de envio para o Oriente Médio. Joost van Leenders, estrategista da Van Lanschot Kempen, alertou que “a volatilidade nas expectativas de juros pode durar” se os preços do petróleo voltarem a subir—destacando como o conflito pode tanto aumentar os gastos com defesa quanto atrapalhar cadeias de suprimentos e projeções de juros. 6
A queda da Rheinmetall ressaltou o sentimento em todo o setor. Analistas do JPM descreveram os investidores como “totalmente focados na execução”, concentrando-se em saber se as empresas de defesa realmente entregam caixa e margens a partir da expansão das carteiras de pedidos—ainda mais agora, com as ações próximas das máximas. 7
A BAE continua a se beneficiar de ganhos constantes de contratos e de um sólido impulso de crescimento. Em fevereiro, o CEO Charles Woodburn apontou para uma “nova era de gastos com defesa”, já que o lucro operacional de 2025 subiu 12%. O contrato de terça-feira reforçou essa narrativa em um mercado que ainda valoriza clareza, embora não seja tão tolerante quanto era semanas atrás. 2