PERTH, 19 de março de 2026, 07:33 (AWST)
As ações da Woodside Energy mal se moveram em Sydney, encerrando a sessão de quarta-feira com alta de 0,06%, após a nova CEO Liz Westcott destacar o projeto de GNL de Louisiana, de US$ 17,5 bilhões, como principal foco. Nos EUA, os ADRs da Woodside foram cotados a US$ 22,85, alta de cerca de 1%. A resposta tímida no mercado doméstico sinaliza que os investidores buscam progresso concreto, não apenas uma mudança na liderança. 1
A pressão aumentou para Westcott agora, com uma previsão de produção mais fraca para 2026 e vários projetos concorrentes na mesa. A Woodside busca vender uma fatia de 20% de seu empreendimento de GNL em Louisiana — gás natural liquefeito, resfriado para exportação — ao mesmo tempo em que avança com Scarborough para a primeira carga ainda este ano, mira o lançamento de Trion em 2028 e avança com Browse para uma decisão final de investimento. 2
O conselho da Woodside escolheu Westcott após uma busca que considerou candidatos internos e externos. O presidente Richard Goyder destacou sua liderança e o que chamou de “entrega disciplinada” como fatores de destaque. Por sua vez, Westcott ressaltou “criação de valor sustentável”, excelência operacional e uma abordagem disciplinada para projetos de crescimento como suas principais prioridades. 3
As ações subiram brevemente 1,2% no início do pregão australiano, mas esses ganhos praticamente desapareceram. A Santos avançou 0,3%, enquanto a Beach Energy subiu 2,5%. O petróleo mais forte ajudou a impulsionar outros nomes do setor de energia. 2
Westcott foi nomeada para o cargo logo após a Woodside fechar acordo com a Austrália Ocidental, abrindo caminho para embarcar mais 3 milhões de toneladas de GNL de Pluto em troca de 23 petajoules adicionais de gás doméstico até 2029. O Pluto LNG 2, previsto para entrar em operação no último trimestre deste ano, aumentará a capacidade em mais 5 milhões de toneladas por ano. 4
A escolha sinaliza continuidade, dizem a maioria dos analistas. Gordon Ramsay, do RBC Capital Markets, descreveu Westcott como uma “nomeação de baixo risco”, enquanto David Tuckwell, CIO da ETF Shares, a classificou como “mãos seguras”. A Woodside enfrenta o que a própria Westcott chamou de “um grande ano de entregas”. 2
A Woodside não parte de uma base frágil. Em fevereiro, a empresa reportou produção recorde em 2025 — 198,8 milhões de barris de óleo equivalente. Lucro líquido? US$ 2,7 bilhões. Scarborough estava 94% concluído até o final do ano, Trion em 50%. 5
O petróleo bruto registrou mais ganhos. O Brent fechou em alta de 3,8% a US$ 107,38, depois subiu mais 5,6% após o expediente quando o Irã atacou vários locais de energia no Oriente Médio—uma ação que pode aumentar a receita de curto prazo para produtores como a Woodside, mas também endurece o cenário inflacionário. 6
Aqui está o problema. Kevin Morrison, do Institute for Energy Economics and Financial Analysis, destacou o Louisiana LNG como o projeto pelo qual os investidores provavelmente avaliarão o desempenho de Westcott, apontando que a disparada dos preços de energia ligada ao conflito com o Irã pode trazer a inflação para o centro das atenções. O Browse, por sua vez, ainda precisa garantir acordos comerciais e superar obstáculos ambientais antes de avançar. 2
O mercado ainda não está se precipitando em julgamentos. A atenção está voltada para a venda da participação na Louisiana, o lançamento de Scarborough e quaisquer atualizações sobre as projeções para 2026—esses fatores pesam mais no momento do que a notícia de que a Woodside nomeou um novo CEO. 2